O Retorno do Jaguar: População de Onças-Pintadas no México Cresce e Traz Esperança para a Espécie

O maior felino das Américas está, passo a passo, recuperando seu território. O Terceiro Censo Nacional do Jaguar revelou que o México abriga hoje 5.326 onças-pintadas, um marco histórico para a conservação ambiental.

Se há uma notícia que merece ser celebrada por quem se importa com a biodiversidade, é a recuperação da onça-pintada (conhecida como jaguar) no México. Os dados do mais recente Censo Nacional do Jaguar (Cenjaguar), divulgados recentemente pela Aliança Nacional para a Conservação do Jaguar (ANCJ), confirmam que a população do felino saltou de 4.800 indivíduos em 2018 para 5.326.

Isso representa um aumento de 10% e um crescimento impressionante de mais de 30% desde o primeiro censo realizado em 2010, quando a estimativa era de apenas 4.000 animais.

Como os felinos foram contados?

Contar onças-pintadas não é uma tarefa simples, já que são animais solitários, noturnos e mestres na camuflagem. Para realizar o maior censo de mamíferos da história do país, dezenas de pesquisadores e líderes comunitários instalaram 920 câmeras de trilha com sensores de movimento em 23 regiões de 16 estados mexicanos.

Os resultados mostraram que a Península de Yucatán, especialmente a região de Gran Calakmul, continua sendo o principal refúgio e o “coração” da espécie, concentrando a maior parte dos felinos no país.

A receita do sucesso

O crescimento não aconteceu por acaso. Especialistas apontam que a recuperação do jaguar mexicano se apoia em três pilares fundamentais:

  • Aumento das Áreas Naturais Protegidas: A política de apostar na preservação de reservas com boa cobertura vegetal foi crucial. Sem habitat, a onça não sobrevive.

  • Redução do Conflito com Fazendeiros: No passado, jaguares eram mortos por vingança ao atacarem o gado. Hoje, existem programas de compensação financeira e seguros que reembolsam os criadores de animais, reduzindo drasticamente a caça predatória.

  • Apoio e Engajamento Comunitário: O jaguar deixou de ser visto como uma “praga” ou um animal desconhecido para se tornar um verdadeiro símbolo de orgulho nacional. Donos de terras rurais também passaram a receber incentivos econômicos para manter suas florestas em pé.

O caminho ainda é longo

Apesar do clima de comemoração, os biólogos e conservacionistas alertam que a missão ainda não acabou. A espécie continua classificada como “Quase Ameaçada” e enfrenta desafios gigantescos.

Mas segundo especialistas da ANCJ, se o ritmo de proteção continuar forte, o México poderá tirar o jaguar da lista de perigo de extinção em cerca de 15 a 30 anos, atingindo uma população sustentável de 8.000 indivíduos. O felino está rugindo mais alto, mas ainda precisa de toda a nossa ajuda para continuar reinando nas selvas latino-americanas.