Brasileiro que trabalhava na Wendy’s é aceito em Yale após chefes acreditarem em seu sonho de estudar
Quatro anos atrás, Thalles Winner DeSouza trabalhava em uma unidade da Wendy’s em Cape Cod, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, e pensava em abandonar o emprego para trabalhar na construção civil.
O motivo era bastante simples: ele queria ganhar mais dinheiro para conseguir estudar.
Foi então que seus chefes fizeram uma proposta que mudaria completamente sua trajetória.
Eles disseram que, se Thalles continuasse trabalhando no restaurante e se esforçasse nos estudos, ajudariam a pagar sua faculdade.
O jovem aceitou.
Anos depois, aquela decisão levou a uma notícia que ele dificilmente imaginaria quando estava atrás do balcão da lanchonete: aos 23 anos, Thalles foi aceito na Universidade Yale, uma das instituições de ensino mais conhecidas dos Estados Unidos, onde começará uma nova etapa de sua vida com apoio financeiro para os estudos.
Uma trajetória que começou muito longe de Yale
Thalles nasceu no Brasil e viveu parte da infância e adolescência em uma região marcada por dificuldades e violência.
Em 2016, depois de um episódio grave envolvendo tiros próximo à sua casa, sua mãe decidiu deixar o país e recomeçar a vida nos Estados Unidos.
A família acabou chegando a Massachusetts.
Para Thalles, a mudança representava não apenas um novo país, mas a necessidade de construir praticamente tudo novamente.
Ele ainda era adolescente e precisava conciliar escola, adaptação à nova vida e trabalho.
Durante o ensino médio, começou a trabalhar em restaurantes de fast-food para ajudar a se sustentar.
Uma dessas oportunidades foi em uma Wendy’s de Cape Cod.

O funcionário chamou atenção dos proprietários
Thalles não permaneceu muito tempo apenas nas funções iniciais do restaurante.
Seu desempenho chamou a atenção dos responsáveis pela franquia.
Ele passou a assumir mais responsabilidades e acabou se tornando gerente de turno ainda jovem.
Os proprietários Usama El-Sehrawey e Ernest Smily perceberam que o funcionário tinha ambição para crescer muito além do restaurante.
Mas havia um problema.
Para Thalles, frequentar uma faculdade parecia financeiramente muito distante.
Ele trabalhava bastante e pensava que mudar para a construção civil poderia ser uma maneira de ganhar mais dinheiro e, algum dia, conseguir pagar pelos estudos.
“Se você ficar, nós vamos ajudá-lo a estudar”
Quando Thalles contou que pretendia deixar a Wendy’s, seus chefes decidiram fazer algo inesperado.
Em vez de apenas aceitar sua saída, ofereceram uma alternativa.
Se ele continuasse trabalhando no restaurante, eles separariam dinheiro para ajudar a financiar sua educação.
Segundo relatos publicados pela ABC News e outros veículos norte-americanos, a empresa passou a reservar uma quantia relacionada às horas trabalhadas pelo jovem.
Quanto mais ele trabalhava, mais recursos eram separados para seu futuro acadêmico.
Para Thalles, aquilo mudou a maneira como enxergava suas próprias possibilidades.
Alguém estava dizendo, de forma muito concreta, que acreditava que ele poderia chegar à faculdade.
O primeiro destino foi uma faculdade comunitária
Com o apoio recebido, Thalles conseguiu estudar no Cape Cod Community College.
Durante os anos seguintes, continuou conciliando responsabilidades profissionais e acadêmicas.
A oportunidade dada pelos chefes não significava que o caminho seria fácil.
Ele ainda precisava estudar, cumprir trabalhos, fazer provas e conquistar boas notas.
Mas havia uma diferença importante: pela primeira vez, a faculdade deixava de parecer um sonho financeiramente impossível.
Thalles aproveitou a oportunidade.
Depois de aproximadamente três anos no Cape Cod Community College e de continuar sua formação acadêmica, ele começou a pensar em um objetivo ainda maior.
Por que não tentar Yale?
Yale faz parte do grupo de universidades norte-americanas conhecido como Ivy League e possui um processo seletivo altamente competitivo.
Para milhares de estudantes, conseguir uma vaga já é considerado uma conquista extraordinária.
Para alguém que poucos anos antes acreditava que talvez precisasse abandonar o caminho acadêmico para trabalhar em outra área, a possibilidade parecia ainda mais distante.
Mesmo assim, Thalles decidiu tentar.
Ele enviou sua candidatura.
E então veio o momento de abrir a resposta da universidade.
A reação ao descobrir que havia sido aceito
Thalles registrou em vídeo o momento em que recebeu a decisão de Yale.
Quando viu que havia sido aceito, não conseguiu esconder a emoção.
Vieram lágrimas, comemoração e a sensação de que anos de esforço finalmente estavam produzindo um resultado que antes parecia improvável.
Em entrevistas posteriores, ele lembrou das noites em que ficava acordado até muito tarde para terminar os estudos.
Todo aquele esforço agora ganhava um novo significado.
A universidade também concedeu apoio financeiro para tornar possível sua matrícula.
As reportagens que acompanharam o caso descrevem o benefício como uma bolsa integral ou um pacote de auxílio capaz de cobrir seus custos acadêmicos.
Primeira coisa que ele fez foi agradecer
Depois da aprovação, Thalles fez questão de lembrar das pessoas que haviam acreditado nele anos antes.
Nas redes sociais, agradeceu aos antigos chefes e à família Smily pela ajuda.
Para o jovem, a oportunidade que recebeu enquanto ainda trabalhava na Wendy’s abriu uma porta que mudou sua vida.
Ernest Smily, um dos proprietários envolvidos naquele primeiro incentivo, faleceu antes de poder acompanhar pessoalmente o resultado final da trajetória.
Mas seu filho Terry Smily continuou próximo da história.
Terry afirmou em entrevistas que o sucesso pertence a Thalles e que a família simplesmente procurou oferecer uma oportunidade para alguém que demonstrava vontade de crescer.
O apoio abriu a porta, mas Thalles precisou atravessá-la
Um dos aspectos mais interessantes dessa história é que ela reúne duas coisas igualmente importantes.
De um lado, existem pessoas que decidiram acreditar em um jovem e usar os recursos que tinham para ajudá-lo.
Do outro, existe alguém que recebeu aquela oportunidade e trabalhou durante anos para transformá-la em resultado.
Os proprietários poderiam pagar parte da faculdade.
Mas não poderiam estudar por Thalles.
Não poderiam fazer suas provas, entregar seus trabalhos ou conseguir sua aprovação em Yale.
A ajuda abriu uma porta.
O esforço dele fez o restante do caminho.
De gerente de turno a estudante de Yale
Agora, Thalles inicia uma fase bastante diferente daquela que conhecia nos tempos em que trabalhava diariamente no restaurante.
Em Yale, pretende estudar ciência política e direitos humanos seguindo uma formação voltada para a área jurídica.
Seu objetivo é posteriormente cursar Direito.
Ele também considera a possibilidade de trabalhar no serviço público no futuro.
A experiência de sua própria família e as dificuldades que enfrentou durante a juventude ajudaram a despertar seu interesse por temas relacionados a direitos, oportunidades e políticas públicas.
Um brasileiro em uma das universidades mais prestigiadas do mundo
A história também possui um significado especial por começar no Brasil.
Thalles chegou aos Estados Unidos ainda adolescente, depois de sua família decidir buscar uma vida mais segura.
Poucos anos depois, estava concluindo o ensino médio enquanto trabalhava em uma rede de fast-food.
Naquele momento, Yale não fazia parte de seus planos mais realistas.
Sua principal preocupação era encontrar uma maneira de ganhar dinheiro suficiente para continuar estudando.
Agora, o mesmo jovem estará caminhando pelo campus de uma universidade fundada há mais de três séculos.
Uma decisão simples mudou quatro anos de história
É interessante imaginar o que poderia ter acontecido caso aquela conversa na Wendy’s tivesse terminado de outra maneira.
Thalles poderia ter deixado o emprego.
Poderia ter ido trabalhar na construção civil.
Talvez ainda encontrasse algum caminho até a universidade no futuro.
Mas Usama El-Sehrawey e Ernest Smily enxergaram potencial no jovem e fizeram uma escolha.
Decidiram investir nele.
Não sabiam que, alguns anos depois, estariam vendo aquele funcionário ser aceito em Yale.
E provavelmente Thalles também não imaginava.
A importância de alguém dizer “eu acredito em você”
Nem todo jovem que possui capacidade para estudar em uma grande universidade tem os mesmos recursos ou oportunidades para chegar até lá.
Às vezes, talento existe.
Esforço também.
O que falta é uma primeira oportunidade.
No caso de Thalles, essa oportunidade apareceu em um lugar bastante improvável: uma lanchonete.
Os chefes perceberam que o funcionário queria estudar e encontraram uma maneira prática de ajudá-lo.
Anos depois, ele próprio resumiu a experiência dizendo que, às vezes, basta uma pessoa acreditar em você.
Uma boa notícia sobre oportunidades que se multiplicam
A história de Thalles não é apenas sobre ser aceito em uma universidade famosa.
É também sobre aquilo que pode acontecer quando alguém recebe apoio no momento certo.
Uma ajuda para pagar uma faculdade comunitária levou a novos estudos.
Os estudos abriram novas possibilidades.
Essas possibilidades levaram a uma candidatura para Yale.
E aquela candidatura terminou com uma aprovação que emocionou um jovem brasileiro de 23 anos.
Agora começa outro capítulo.
Thalles ainda terá muitos anos de estudo pela frente e novos desafios certamente aparecerão.
Mas já existe algo que ele provavelmente nunca esquecerá.
Antes de uma das universidades mais respeitadas do mundo acreditar em sua candidatura, dois chefes de uma Wendy’s já haviam decidido acreditar nele.
E aquela primeira demonstração de confiança ajudou a transformar um sonho que parecia distante em uma oportunidade real.