Peixe-boi preso em linha de pesca é salvo após guia acionar equipe de resgate nos EUA

Um passeio pelas águas próximas à ilha de St. Simons, no estado norte-americano da Geórgia, terminou dando início a uma operação que salvaria a vida de um peixe-boi.

O guia de pesca Davis Galland percebeu que uma fêmea adulta estava com uma linha de armadilha para caranguejos enrolada firmemente ao redor do corpo.

Em vez de seguir viagem, ele avisou as autoridades e enviou fotografias mostrando a situação do animal.

A atitude colocou em movimento uma operação que reuniu especialistas da Geórgia e da Flórida, além de órgãos federais e pesquisadores.

Depois de dois dias de trabalho, a equipe conseguiu retirar completamente o equipamento que prendia o peixe-boi.

E a melhor notícia veio no final: o animal voltou a nadar livremente.

Era o primeiro caso desse tipo documentado na Geórgia

O peixe-boi foi avistado em 29 de julho nas águas próximas aos rios Mackay e Hampton, na região de St. Simons Island e Brunswick.

Quando os especialistas analisaram as imagens enviadas por Davis Galland, perceberam que a situação era séria.

A linha de uma armadilha comercial para caranguejos passava atrás da cabeça do animal e envolvia também sua nadadeira peitoral direita.

Uma boia permanecia presa ao equipamento.

Segundo o Departamento de Recursos Naturais da Geórgia, aquele foi o primeiro caso documentado no estado de um peixe-boi preso desse modo em equipamentos de pesca.

Para Jessica Thompson, responsável pelo Programa de Mamíferos Marinhos do órgão, a situação representava risco à vida do animal caso ninguém interviesse.

Primeira equipe conseguiu retirar parte do equipamento

Especialistas do Georgia Department of Natural Resources chegaram rapidamente ao local.

A equipe conseguiu cortar a armadilha que permanecia ancorada no fundo, diminuindo parte da pressão sobre o animal.

Também instalou uma pequena etiqueta de rastreamento por satélite.

Esse equipamento seria muito importante porque o peixe-boi continuava livre na água e ainda carregava parte da linha e da boia.

Com o rastreador, os especialistas poderiam acompanhar seus movimentos e encontrá-lo novamente para concluir o resgate.

Davis permaneceu próximo para ajudar caso fosse necessário.

Mas o tempo começou a mudar.

Uma tempestade se aproximou e obrigou todos a interromper a operação naquele dia.

No dia seguinte, uma grande equipe voltou ao local

O resgate ganhou reforços na manhã seguinte.

Três embarcações foram mobilizadas e profissionais de diferentes instituições passaram a trabalhar juntos.

Participaram da operação equipes do Departamento de Recursos Naturais da Geórgia, da Florida Fish and Wildlife Conservation Commission, do Clearwater Marine Aquarium Research Institute, do U.S. Fish and Wildlife Service e do laboratório de estudos de golfinhos da Savannah State University.

Cada grupo levou para o local conhecimentos adquiridos em anos de trabalho com mamíferos marinhos.

A missão parecia simples no papel: localizar o peixe-boi e retirar todo o material que ainda estava enrolado em seu corpo.

Na prática, seria muito mais difícil.

Outros peixes-bois permaneceram ao lado da fêmea

O plano inicial era utilizar uma grande rede especial para colocar temporariamente o animal na embarcação de resgate da equipe da Flórida.

Assim, os especialistas poderiam examiná-lo e remover o equipamento com maior controle.

Mas havia companhia muito próxima.

Dois peixes-bois menores permaneceram perto da fêmea durante a operação.

Pelo menos um deles era um filhote, e autoridades federais afirmaram posteriormente que ele parecia ser dependente da fêmea resgatada.

A proximidade dos animais tornou o uso da grande rede arriscado.

A equipe decidiu não forçar a situação e começou a avaliar outras maneiras de realizar o resgate.

Peixes-bois parecem tranquilos, mas são animais muito fortes

Normalmente, os peixes-bois são conhecidos por movimentos lentos e comportamento tranquilo.

Isso não significa que seja seguro tentar manipulá-los sem treinamento.

Um adulto pode pesar mais de 450 quilos e possui muita força.

Quando está assustado ou sob estresse, pode se movimentar rapidamente e oferecer riscos tanto para si mesmo quanto para quem tenta ajudá-lo.

Por isso, os profissionais trabalharam com paciência.

A prioridade era retirar a linha sem provocar uma reação que pudesse machucar o animal, o filhote ou algum integrante da equipe.

A linha já começava a ferir a pele

Enquanto o peixe-boi continuava nadando, a linha permanecia pressionada contra seu corpo.

Quando os especialistas conseguiram chegar mais perto, constataram que ela já começava a cortar a pele.

Isso reforçou a urgência do resgate.

Equipamentos desse tipo podem causar ferimentos progressivamente mais graves à medida que o animal cresce, se movimenta ou tenta escapar.

Além das lesões externas, uma linha muito apertada pode comprometer a movimentação normal do animal.

Equipe adaptou técnicas usadas em outros mamíferos marinhos

Para encontrar uma solução, os profissionais aproveitaram conhecimentos adquiridos em operações anteriores envolvendo outras espécies.

Jessica Thompson explicou que parte das técnicas utilizadas veio da experiência de equipes que trabalham para libertar golfinhos e baleias-francas-do-atlântico-norte presas em equipamentos de pesca.

A situação exigiu adaptação porque o comportamento e o tamanho de cada espécie são diferentes.

Mas a experiência acumulada ajudou os profissionais a analisar o risco, aproximar as embarcações e trabalhar com o animal ainda na água.

Finalmente, a última linha foi retirada

Depois de várias tentativas e ajustes no plano, a equipe começou a conseguir retirar as partes restantes do equipamento.

Primeiro veio a boia.

Depois, os profissionais removeram cuidadosamente a linha que ainda envolvia o corpo e a nadadeira.

No início da tarde, não havia mais nada prendendo o peixe-boi.

A fêmea estava livre.

Todo o trabalho aconteceu sem que fosse necessário retirar o animal completamente da água.

As imagens divulgadas pela equipe mostram os profissionais inclinados sobre as laterais das embarcações enquanto trabalham junto ao peixe-boi, com o filhote aparecendo muito próximo durante parte da operação.

Rastreador permitirá continuar acompanhando o animal

A etiqueta instalada durante o primeiro dia permaneceu no peixe-boi depois do resgate.

O sistema permite acompanhar seus movimentos por satélite e oferece aos pesquisadores uma maneira de observar como o animal se comporta depois da retirada das linhas.

Esse tipo de acompanhamento também pode fornecer informações importantes sobre a movimentação de peixes-bois pelas águas costeiras da Geórgia.

Esses animais passam parte do ano fora da Flórida.

Durante os meses mais quentes, alguns seguem para o norte e chegam à Geórgia e às Carolinas em busca de vegetação abundante.

Peixes-bois da Flórida são protegidos por lei federal

O animal resgatado pertence à população conhecida como peixe-boi-da-Flórida, uma subespécie do peixe-boi-das-Índias-Ocidentais.

Nos Estados Unidos, esses mamíferos são protegidos por legislação federal.

Apesar de sua aparência robusta, enfrentam diferentes riscos provocados pela atividade humana.

Colisões com embarcações estão entre os problemas conhecidos.

Linhas, redes e outros equipamentos de pesca também podem provocar acidentes como o registrado em St. Simons.

Por isso, observar um animal em dificuldade e avisar rapidamente profissionais treinados pode fazer uma enorme diferença.

Autoridades pedem que as pessoas não tentem fazer o resgate sozinhas

O caso de Davis Galland mostra exatamente qual deve ser a primeira atitude quando alguém encontra um peixe-boi ferido ou preso.

A orientação do Departamento de Recursos Naturais da Geórgia é registrar informações como local, horário e fotografias, quando isso puder ser feito com segurança, e entrar em contato com as autoridades responsáveis.

A pessoa não deve tentar retirar linhas ou capturar o animal por conta própria.

Mesmo um peixe-boi aparentemente calmo pode reagir de maneira imprevisível quando está assustado ou ferido.

Especialistas possuem equipamentos, treinamento e autorização para avaliar qual estratégia representa o menor risco.

Um telefonema colocou muitas pessoas em movimento

A operação envolveu barcos, equipamentos de rastreamento, especialistas em mamíferos marinhos, autoridades de dois estados, pesquisadores universitários e profissionais federais.

Mas nada disso teria começado naquele momento se Davis Galland não tivesse percebido que havia algo errado.

Foi um observador no lugar certo que deu o primeiro alerta.

Depois disso, cada pessoa acrescentou uma parte diferente à solução.

Um grupo localizou o animal.

Outro trouxe experiência em resgate de peixes-bois.

Outros contribuíram com conhecimentos adquiridos trabalhando com golfinhos e baleias.

Juntos, encontraram uma maneira segura de libertá-lo.

Uma mãe e seu possível filhote ganharam uma nova chance

Para Terri Calleson, responsável pela recuperação de peixes-bois no U.S. Fish and Wildlife Service, o sucesso teve um significado ainda maior porque um dos animais que permaneceu junto da fêmea parecia ser um filhote dependente.

Libertar a adulta significava, portanto, proteger não apenas uma vida naquele momento, mas também permitir que mãe e filhote continuassem juntos.

Depois que a última linha foi retirada, eles puderam continuar nadando nas águas costeiras.

Uma boa notícia construída por muitas mãos

O resgate durou dois dias.

Começou com um guia de pesca percebendo uma boia e uma linha onde elas não deveriam estar.

Passou por uma tempestade que obrigou a equipe a parar.

Continuou com três barcos e especialistas de diferentes instituições reunidos no dia seguinte.

E terminou com uma fêmea de peixe-boi finalmente livre do equipamento que começava a machucar sua pele.

O Departamento de Recursos Naturais da Geórgia resumiu a operação como um esforço de equipe.

É uma descrição bastante apropriada.

Nenhuma pessoa realizou o resgate sozinha.

Mas cada uma fez algo que permitiu que o próximo passo acontecesse.

E no final de toda essa corrente havia um animal nadando livre novamente, acompanhado de um pequeno peixe-boi que permaneceu por perto durante a operação.

Uma boa notícia que mostra o que pode acontecer quando alguém percebe um problema, pede ajuda e encontra muitas outras pessoas prontas para responder.