Ultrassom portátil com inteligência artificial pode ajudar médicos a identificar problemas cardíacos em poucos minutos

Uma tecnologia do tamanho de um aparelho portátil pode ajudar a levar exames do coração para dentro de consultórios onde antes seria necessário encaminhar o paciente para um especialista.

Médicos de atenção primária na Espanha testaram pequenos aparelhos de ultrassom guiados por inteligência artificial para avaliar pacientes com falta de ar, um sintoma que pode ter muitas causas diferentes, incluindo problemas cardíacos.

Mesmo profissionais que nunca haviam realizado ecocardiogramas anteriormente conseguiram aprender a utilizar o sistema após um treinamento relativamente curto.

Falta de ar pode ter muitas causas

A falta de ar é uma das queixas que médicos encontram com frequência.

Ela pode estar relacionada aos pulmões, ao coração, a problemas metabólicos ou a diversas outras condições.

Quando existe suspeita de insuficiência cardíaca, um dos exames importantes é o ecocardiograma.

O exame tradicional utiliza ondas de ultrassom para criar imagens do coração e permite observar como ele está bombeando o sangue.

O problema é que esse exame muitas vezes depende de equipamentos maiores e profissionais especializados, o que pode criar filas e atrasar a investigação.

Um aparelho pequeno que cabe na rotina do consultório

A nova abordagem utiliza um aparelho portátil de ultrassom conectado a sistemas de inteligência artificial.

A tecnologia ajuda o profissional durante a obtenção das imagens e na avaliação inicial de aspectos importantes do funcionamento cardíaco.

Nove clínicas localizadas em Granada, Madri e Barcelona participaram da experiência.

Médicos de família que não possuíam experiência anterior com ecocardiografia receberam aproximadamente 12 horas de treinamento, incluindo aulas e prática com o equipamento.

Exame leva aproximadamente 15 minutos

Quando um paciente chegava ao consultório relatando falta de ar, o médico podia realizar uma avaliação cardíaca utilizando o aparelho portátil.

O procedimento levava aproximadamente de 12 a 15 minutos.

Isso permitia obter informações importantes sobre o coração durante a própria consulta inicial.

A ideia não é eliminar os cardiologistas ou substituir exames completos em situações que realmente necessitam deles.

O objetivo é permitir que médicos identifiquem mais rapidamente quais pacientes apresentam sinais que justificam uma investigação especializada.

Inteligência artificial funciona como apoio

Obter uma boa imagem de ultrassom pode exigir bastante treinamento.

É justamente nesse ponto que a inteligência artificial pode ajudar.

O sistema oferece orientação durante o exame, tornando a tecnologia mais acessível para profissionais que não trabalham diariamente com ecocardiografia.

Isso poderia ampliar o uso do ultrassom cardíaco em unidades de atenção primária, especialmente em lugares onde o acesso rápido a especialistas é mais difícil.

Menos espera para descobrir o que está acontecendo

Na Espanha, pacientes podem esperar semanas por uma consulta com um cardiologista.

Ao mesmo tempo, uma parte das pessoas encaminhadas com urgência acaba descobrindo posteriormente que não precisava daquele atendimento especializado imediato.

Uma avaliação mais completa no próprio consultório pode ajudar nos dois lados.

Pacientes com sinais preocupantes poderiam ser identificados rapidamente, enquanto aqueles sem evidências de alterações cardíacas poderiam continuar sendo investigados por outras possíveis causas dos sintomas.

Custo também pode diminuir

Os pesquisadores fizeram uma estimativa econômica da nova abordagem.

A realização da avaliação portátil custaria cerca de 20 euros por paciente no modelo analisado.

Um encaminhamento tradicional para avaliação cardiológica foi estimado em aproximadamente 280 euros.

Segundo os cálculos apresentados no estudo, a diferença poderia representar uma economia anual de dezenas de milhares de euros para uma clínica, dependendo da quantidade de pacientes atendidos.

Esse dinheiro poderia ser direcionado a outras áreas do sistema de saúde.

Tecnologia pode aproximar exames das pessoas

Equipamentos de ultrassom já foram máquinas grandes e restritas principalmente aos hospitais.

Hoje, alguns aparelhos são pequenos o suficiente para serem carregados facilmente.

A inteligência artificial acrescenta uma nova etapa dessa transformação ao ajudar profissionais a utilizar informações que antes exigiam treinamento muito mais especializado.

A pesquisa ainda representa uma experiência inicial, e a tecnologia precisa continuar sendo avaliada em diferentes sistemas de saúde e grupos de pacientes.

Mas ela aponta para uma mudança importante na medicina: exames sofisticados podem começar a se aproximar cada vez mais do primeiro consultório procurado pelo paciente.

Para alguém preocupado com uma falta de ar inexplicada, isso pode significar menos espera, uma investigação mais rápida e a possibilidade de descobrir um problema cardíaco antes que ele se torne mais grave.